
Contratos empresariais: por que a confidencialidade é indispensável? Camila Cardoso Novellino
O respaldo jurídico para esse instrumento é sólido: o art. 422 do Código Civil estabelece o princípio da boa-fé objetiva, impondo às partes contratantes deveres de lealdade, cooperação e sigilo, enquanto a Lei nº 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial) classifica como crime de concorrência desleal a utilização ou divulgação de informações confidenciais obtidas em decorrência de uma relação contratual ou profissional.
Em quais situações ela se aplica?
- Parcerias comerciais e joint ventures
- Processos de fusão e aquisição
- Contratos de tecnologia e inovação
- Relações com fornecedores e investidores
Como garantir a eficácia dessa cláusula?
- O que é considerado informação confidencial;
- Quem está obrigado ao sigilo e por quanto tempo;
- Como as informações podem ser usadas ou compartilhadas;
- As exceções (como dados já públicos ou previamente conhecidos);
- As consequências do descumprimento, como multa ou indenização.
O que pode ou não ser considerado sigiloso?
O mesmo vale para dados obtidos por meios independentes e lícitos. A tentativa de incluir essas informações como confidenciais pode gerar abusos e comprometer a validade da cláusula, em afronta à boa-fé objetiva e à função social do contrato.
Quais são os riscos de não incluir essa cláusula?
A ausência de uma cláusula de confidencialidade pode gerar riscos graves. O vazamento de informações estratégicas pode levar à perda de vantagem competitiva, ao comprometimento da reputação no mercado e a litígios longos e custosos.
Em operações mais complexas, como fusões e aquisições, a falta desse compromisso pode inclusive inviabilizar negociações ou reduzir a confiança de investidores e parceiros.
Por fim, ressalta-se que cláusulas de confidencialidade não são mera formalidade, mas um mecanismo essencial de preservação da segurança jurídica, da proteção de ativos intangíveis e da estabilidade das relações empresariais. Ao estabelecer os limites claros do sigilo, elas fortalecem a confiança entre as partes e criam um ambiente de cooperação mais sólido, que permite que as empresas inovem e cresçam sem abrir mão da proteção de seus ativos mais valiosos, a informação estratégica.
Camila Cardoso Novellino







